Se você que está lendo esse artigo pratica algum tipo de atividade física, certamente já ouviu música enquanto se exercitava.
Há quem vá ainda mais longe e crie playlists exclusivas para a hora do treino. Eu mesmo tenho duas, uma de músicas nacionais e outras com bandas gringas.
Mas a grande verdade nisso tudo é que quem gosta de se exercitar e passa a ouvir músicas na hora do esporte certamente já notou algum tipo de ganho em desempenho.
Na musculação dá pra colocar umas anilhas de peso a mais, na corrida e no ciclismo, um aumento na velocidade das passadas e pedaladas e assim sucessivamente.
Então, te faço uma pergunta óbvia: você já reparou que em competições oficiais ninguém pode usar fones de ouvido?
Pois bem, é porque ouvir música é sim considerado um doping fisiológico.
E quem diz isso, não sou eu. É a ciência.
Mas antes de mergulharmos no universo científico desse “doping” mais leve, vou contar uma história pela qual passei sobre o tema em termos oficiais.
Durante minha primeira pós-graduação, em um módulo de treinamento esportivo tivemos aula com um professor que trabalhava no COB - Comitê Olímpico Brasileiro.
O ano era 2014 e em 2016 teríamos olímpiadas no Rio de Janeiro e como membro do COB, ele estava contando para a classe algumas novidades para as competições que aconteceriam em terras tupiniquins.
Entre elas estavam: a proibição de uso de kinésio tape colorida, apenas as de cores com a tonalidade da pele dos atletas e a proibição do uso de fones de ouvido antes do início das competições.
As alegações: Kinésio tape colorida se configurava como publicidade e os fones de ouvido serviam como um “gás a mais” na hora das competições.
A música é capaz de oferecer uma série de benefícios à saúde, sendo inclusive utilizada como terapia alternativa - como é o caso da musicoterapia, por exemplo.
Quando se fala em canções e saúde, os efeitos de forma geral são positivos para amenizar ansiedade, depressão e outras condições específicas.
Já os efeitos durante a prática de atividades físicas, envolvem basicamente a questão psicológica, sendo possível elencar:
Redução da percepção de esforço;
Controle da fadiga no auge da atividade física;
Estímulo de aspectos positivos, tais como entusiasmo, excitação e felicidade;
Auxílio na definição de ritmo de treino.
Vamos embarcar um pouco na questão fisiológica da coisa.
Atletas que ouvem música antes das provas, apresentam maior saturação de hemoglobina, uma proteína presente no sangue que carrega oxigênio para todo o corpo.
Logo, com mais oxigênio disponível ao redor do organismo, melhor a performance física.
Além disso, quando ouvimos músicas que nos estimulam, há liberação de endorfina, um neurotransmissor que causa uma sensação de bem-estar.
Com isso, há maior resistência e menor percepção de esforço, uma vez que a música faz com que o praticante de atividade física se sinta bem.
Legal, né?
Mas agora, vamos à constatação científica!
Uma meta-análise reunindo 139 estudos foi utilizada para quantificar os efeitos da música sobre a prática de atividades físicas. Após avaliação ficou constatado que praticantes que ouviam música durante o exercício, apresentaram melhor desempenho físico e diminuição na percepção do esforço.
Tem um outro estudo bem bacana sobre o tema que separei para te mostrar:
Neste, quinze estudantes saudáveis - 8 homens e 7 mulheres - com idade entre 18 e 25 anos participaram de um teste que consistia em realizar duas tentativas de levantamento de peso, uma ouvindo música e outra no silêncio.
Ao final do teste, os resultados apontaram para o óbvio: ouvindo música, os participantes conseguiram atingir um maior número máximo de repetições de levantamento de peso, e o tempo de recuperação foi menor.
O objetivo aqui fica claro: se você quer melhorar seu desempenho, você não precisa de estratégias mirabolantes.
Não há necessidade de gastar rios de dinheiro com suplementos que não funcionam ou se dobrar à insistência do seu personal trainer ou amigos de academia que insistem para que você use anabolizantes.
Uma alimentação saudável e organizada, noites reparadoras de sono e uma playlist com o bom e velho rock and roll são suficientes para você aumentar pesos e repetições máximas na academia, ou então correr, nadar ou pedalar mais alguns quilômetros.
Tinha uma ideia acerca do uso, por muitos, de fones nas atividades físicas, mas nunca usei. Creio que atletas de alta performance devem ter conhecimento. Vou encaminhar pra quem pratica atividade física.